A alguns anos atrás, neste mesmíssimo dia, lembro-me de estar a observar o céu colorido em fogos de artifício. Era noite de natal.
Para uma criança, pode ser definido ”Natal”, qualquer coisa distinta do nascimento de Jesus Cristo. Em meu caso, comidinhas gostosas, presentes inesperados e a conversa fiada dos parentes simbolizavam o tal espírito mágico e natalino. O recheio desse enredo era composto por luzinhas, enfeites e cheiro de refrigerante. Eu, pequenino, não compreendia bem tudo aquilo, mas apreciava o brilho que ali existia.
Hoje, anos mais tarde, me pego a ver o céu sólido em uma bruma de começo de madrugada. Os barulhos são inexistentes, o que ao menos tem seu lado positivo, por assim não incomodar os cachorros. Consulto então o relógio no pulso e percebo ser Meia-noite, Natal, Jesus Cristo.
Os tempos em volta deste último dia Vinte e Cinco de Dezembro são sombrios e recheados de quaisquer coisa que se assemelhe com ódio. A barbárie permite soar grotesco uma felicitação de ‘’Feliz Natal’’.
Em tempos assim, o valor de; fazer um churrasco, beijar os parentes, ir à missa, benzer quebranto, lembrar-se dos mortos, escutar samba, rodar a baiana e festejar o natal, simbolizam uma espécie de antídoto contra essa imensa onda de desumanização e caos que assola todos os mundos.
É importante valorizar os fins de ano e as festas, fugindo mesmo que brevemente, da rotina e dos cronômetros, das metas e dos escritórios. Compromissos de união como o Natal, são como fogos de artifício; acariciam o céu com suas danças e alegorias, espantam aos olhos daqueles que os veem e o sentem, o sentido de vazio.
Feliz Natal!